A Questão Social
Serviço Social - O que é?
O Assistente Social está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
História do Serviço Social no Brasil
A emergência e institucionalização do Serviço Social como especialização do trabalho ocorre nos anos 20 e 30, sob influência católica européia. Com ênfase nas idéias de Mary Richmond e nos fundamentos do Serviço Social de Caso, a técnica está a serviço da doutrina social da Igreja.
Nos anos 40 e 50 o Serviço Social brasileiro recebe influência norte-americana. Marcado pelo tecnicismo, bebe na fonte da psicanálise, bem como da sociologia de base positivista e funcionalista/sistêmica. Sua ênfase está na idéia de ajustamento e de ajuda psico-social. Neste período há o início das práticas de Organização e Desenvolvimento de Comunidade, além do desenvolvimento das peculiares abordagens individuais e grupais. Com supervalorização da técnica, considerada autônoma e como um fim em si mesma, e com base na defesa da neutralidade científica, a profissão se desenvolve através do “Serviço Social de Caso”, “Serviço Social de Grupo” e “Serviço Social de Comunidade”.
Nos anos 60 e 70 há um movimento de renovação na profissão, que se expressa em termos tanto da reatualização do tradicionalismo profissional, quanto de uma busca de ruptura com o conservadorismo. O Serviço Social se laiciza e passa a incorporar nos seus quadros segmentos dos setores subalternizados da sociedade. Estabelece interlocução com as Ciências Sociais e se aproxima dos movimentos “de esquerda”, sobretudo do sindicalismo combativo e classista que se revigora nesse contexto.
O profissional amplia sua atuação para as áreas de pesquisa, administração, planejamento, acompanhamento e avaliação de programas sociais, além das atividades de execução e desenvolvimento de ações de assessoria aos setores populares. E se intensifica o questionamento da perspectiva técnico-burocrática, por ser esta considerada como instrumento de dominação de classe, a serviço dos interesses capitalistas.
Com os “ventos democráticos” dos anos 80, inaugura-se o debate da Ética no Serviço Social, buscando-se romper com a ética da neutralidade e com o tradicionalismo filosófico fundado na ética neotomista e no humanismo cristão. Assume-se claramente no Código de Ética Profissional, aprovado em 1986, a idéia de “compromisso com a classe trabalhadora”. O Código traz também outro avanço: a ruptura com o corporativismo profissional, inaugurando a percepção do valor da denúncia (inclusive a formulada por usuários). No âmbito da formação profissional, busca-se a ultrapassagem do tradicionalismo teórico-metodológico e ético-político, com a revisão curricular de 1982. Supera-se, na formação, a metodologia tripartite e dissemina-se a idéia da junção entre a técnica e o político. Há ainda a democratização das entidades da categoria, a superação da lógica cartorial pelo Conjunto CFESS/Cress, que conquista destaque no processo de consolidação do projeto ético-político do Serviço Social.
Nos anos 90, se verificam no âmbito do Serviço Social os efeitos do neoliberalismo, da flexibilização da economia e reestruturação no mundo do trabalho, da minimalização do Estado e da retração dos direitos sociais. O Serviço Social amplia os campos de atuação, passando a atuar no chamado terceiro setor, nos Conselhos de Direitos e ocupa funções de assessoria entre outros. Discutindo a sua instrumentalidade na trajetória profissional, ressignifica o uso do instrumental técnico-operativo e cria novos instrumentos, como mediação para o alcance das finalidades, na direção da competência ética, política e teórica, vinculada à defesa de valores sócio-cêntricos emancipatórios. Partindo do pressuposto da necessidade da capacitação continuada, o Serviço Social busca a ultrapassagem da prática tecnicista, pretensamente neutra, imediatista ou voluntarista.
Nos anos 2000 esta conjuntura provoca novas disputas em torno da questão social e do papel a ser cumprido pelas políticas sociais, verifica-se a proliferação de cursos de graduação privados de baixa qualidade, implementação do ensino de graduação à distância, com prejuízo ao ensino presencial. Reduz-se a capacidade de mobilização em torno de projetos coletivos, o que gera novos desafios para a luta pela consolidação dos direitos da população usuária dos serviços prestados pelos assistentes sociais.
Esses elementos apontam para a necessidade de fortalecer o projeto ético-politico profissional, que vem sendo construído pela categoria há mais de três décadas.
http://www.cress-ms.org.br/novo/historico/pagina-1221246173/
MARXISMO: UMA SOMBRA JURÁSSICA NOS DIAS DE HOJE?
Postado por Levi Tavares
RESUMO
O texto tem como tema a Crise do Marxismo, um debate presente no âmbito das Ciências Sociais no início dos anos 90, mas que parece muito vivo ainda hoje. Tem por propósito alertar, a partir do resgate dos principais argumentos utilizados tanto na defesa da existência dessa crise como em seu desmonte, para a necessidade de um esforço teórico-crítico no sentido de aprofundar o legado marxista e fazer frente à reação conservadora que tem invadido os meios acadêmicos do Serviço Social.
Palavras-chaves: Crise do Marxismo, Crise do Socialismo Real, vitalidade do Marxismo.
Há alguns anos, particularmente no período pré e imediatamente pós-desmoronamento da URSS e da queda do muro de Berlim, instalou-se no âmbito das Ciências Sociais um debate significativo acerca de uma possível morte do Marxismo ou, na melhor das hipóteses, de uma crise desta perspectiva.
Não era raro ouvir , seja de conservadores de plantão seja de ”marxistas desiludidos”, críticas que, em última análise, se pautavam na crença de que o Marxismo estava obsoleto e ultrapassado. Ou seja, não era mais válido para explicar as peculiaridades dessa nova ordem mundial marcada pela globalização, pela revolução tecnológica e etc., bem como para enfrentar os “novos” fenômenos que dela emergem.
Em resposta a essas críticas, também não foram raras as publicações que se colocaram no sentido de elucidar essa questão, inclusive procedendo um desmonte à inclusão do Marxismo na chamada crise dos paradigmas.
Entretanto, ao que parece, isso não foi suficiente: colocações em defesa dessa morte ou crise são, com maior ou menor sofisticação e de uma forma mais ou menos explícita, permanentemente repostas. Desse modo, este texto tem por objetivo recolocar 1 aspectos concernentes à denominada Crise do Marxismo e, de modo sucinto, destacar elementos que joguem à favor de seu desmonte.
1. O Contexto e os Argumentos em defesa da existência de uma Crise do Marxismo
Embora seja tão fortemente defendida, a existência ou não de uma crise do Marxismo não é uma questão consensual. Tendo a acreditar que o Marxismo não está passando por uma crise terminal ou que envolva a Tradição Marxista como um todo, embora tenhamos que admitir que no Brasil e no mundo há atualmente uma forte “onda” neoliberal e uma recorrência crescente à social democracia, que rebate também no Serviço Social.
É sabido que o Marxismo sempre foi alvo de críticas e que historicamente já decretou-se várias vezes sua morte. Aliás, diga-se de passagem, cada uma delas ocorre em contextos de reações conservadoras. Se isso não é algo recente ou inédito, o que existe de novidade para servir de justificativa?
O “novo” parece residir no contexto maior onde ela estaria inserida, ou seja, na crise da modernidade, mais precisamente no questionamento da racionalidade na crise da modernidade.
As profundas transformações, ocorridas principalmente no último século, deram ao mundo moderno uma configuração totalmente distinta daquela existente no anterior. Ele se apresenta mais complexo e há um certo desencanto com os resultados que a modernidade trouxe. A modernidade é aqui entendida como “grande projeto histórico, social e cultural que, contido no iluminismo, vinculava a racionalidade do controle sobre a natureza à emancipação e à liberação dos homens” (NETTO, 1992, p.12).
Pelas mãos do progresso e da ciência/da razão, a modernidade não levou a humanidade à estágios superiores de relação harmônica do homem com a natureza e com os outros homens. O que se argumenta é que a ciência moderna, nascida da razão, nos levou à problemas como, por exemplo, a destruição do meio ambiente, a produção ampliada da miséria e novas formas de exploração no mundo do trabalho. Enfim, em lugar da autonomia e da libertação, trouxe aos homens maior dominação e exploração (agora sob novas formas) – trouxe a barbárie. A premissa é de que, então, existe uma crise de cultura e de civilização vinculada ao fracasso das promessas da modernidade: um desencantamento com o mundo.
Dentro disso há também um questionamento dos paradigmas (com reserva para essa denominação no sentido de sua adequação às Ciências Sociais) de racionalidade que se afirmaram no processo de modernidade. O alvo recai sobre aqueles paradigmas, entendidos como modelos, elaborados no século XIX quando a realidade existente era menos complexa e nos quais a explicação e a interpretação da realidade apresenta dimensões abrangentes, macro-societárias.
As interpretações herdadas dos clássicos, configuradas em visão macro da sociedade e em generalizações, estariam obsoletas na medida em que: a) correspondendo a uma realidade passada/superada, não respondem às peculiaridades do final do século XX, o qual apresenta-se com facetas antes desconhecidas como o propalado fim da luta de classes; b) pela generalização e abrangência, pareceriam não deixar espaço para o indivíduo ou serem capazes de dar conta do particular, do concreto, do específico. Neste sentido, passa-se a visualizar uma tendência nas Ciências Sociais que reivindica o trabalho com o micro, com o particular e, para tal, a busca de novas abordagens analíticas.
Por que a maior parte dessas críticas converge particularmente para o Marxismo? Porque era justamente ele que trazia a possibilidade concreta de construção de um novo mundo, de uma nova sociedade, o que não se viabilizou ou se viabilizou de forma problemática no leste europeu. É aí que a crise do Socialismo Real assume uma dimensão importante, na medida que, falindo, abre espaço para a propaganda a favor do neoliberalismo – da sociedade de mercado como única alternativa ao fim do socialismo.
De fato, nos últimos anos essa posição a favor da morte do Marxismo é reforçada pelo desmoronamento da União Soviética, pela queda do muro de Berlim, enfim, pela crise verdadeira que se instala naqueles países que tinham como projeto uma sociedade socialista: a falência do Socialismo Real.
Nesse sentido, a falência do Socialismo Real (e do Marxismo-Leninismo) é interpretada como crise ou morte do Marxismo, sendo esse um outro argumento daqueles que acreditam na incapacidade total ou parcial do Marxismo (como sustentação) e na do Socialismo/Comunismo como alternativa ao Capitalismo.
2. Existe realmente uma Crise do Marxismo?
Todos os argumentos expostos parecem bastante fortes para indicação da existência de uma crise sendo necessário, entretanto, uma relativização dos mesmos.
Um primeiro aspecto seria a validade ou não do pensamento de Marx na sociedade burguesa atual. De fato, Marx constrói sua Teoria Social (reprodução ideal do movimento real de seu objeto, ou seja, gênese, consolidação, desenvolvimento e condições de crise da ordem burguesa) no século XIX quando a configuração social era totalmente distinta da que se tem hoje. É evidente que houve um amadurecimento da ordem burguesa e que hoje nos deparamos com problemas que não foram contemplados por Marx e que nem poderiam: ele era um homem de seu tempo, assim como o eram Comte, Durkheim, Burke, Locke, etc..
Não há nisso nenhum elemento depreciativo. Como bem coloca NETTO (1991), como a construção de Marx poderia ter sobrevivido sem nenhum “arranhão” se o seu próprio objeto – ordem burguesa – é mutável ? Como se pode cobrar de Marx a abordagem de questões inexistentes em seu tempo e respostas específicas a elas?
Fazer isso é atribuir à Marx um caráter profético e ele não era um profeta: suas afirmativas tinham como referência um determinado contexto sócio-histórico no qual não estavam presentes muitas variáveis que se colocam no mundo moderno.
Concordando com o citado autor, a questão primordial, portanto, não é exatamente os resultados a que chegou, embora o amadurecimento da sociedade burguesa em todo o século XX não tenha invalidado nenhuma das tendências estruturais de seu desenvolvimento que Marx tinha capturado/descoberto como, por exemplo, a consolidação do monopólio, a concentração e a centralização do capital e a reiteração de crises periódicas.
A questão primordial deve ser o modo pelo qual Marx chegou aos resultados, isto é, o seu modo de pensar o social, o seu método.
E o seu método é valido para esclarecer os “novos” problemas da ordem burguesa contemporânea? Penso que sim. O que temos hoje não são “novos” problemas; são novas configurações, novos nuances, novas facetas e a existência de novos elementos concernentes ao desenvolvimento de seu objeto cujos fundamentos, porém, não deixaram de ser contemplados.
O seu objeto não deixou de existir. Se os resultados a que chegou podem, total ou parcialmente, não serem mais válidos para os tempos de hoje (não há aí nenhuma ortodoxia), seu método de investigação continuará válido enquanto seu objeto continuar a existir. A adoção do método marxiano ”como instrumento de conhecimento, é a condição tanto para desvelar o desenvolvimento da ordem burguesa quanto para atualizar os resultados alcançados por Marx” (NETTO, 1991, p.31), como para dar conta dos elementos não contemplados por ele.
Um outro aspecto a ser destacado é a identificação da crise ou falência do Socialismo Real como sendo uma crise ou falência do Marxismo.
Entendo que não restam dúvidas quanto à veracidade da crise do Socialismo Real que não se configura como passageira e não se restringe apenas à URSS. Não cabe no âmbito deste texto o detalhamento sobre isso, porém, da literatura existente destaca-se dois aspectos que são igualmente inquestionáveis:
a) A alternativa adotada pela URSS, preponderantemente durante e pós-ditadura Stalinista, não foi o único projeto socialista posto em debate na ocasião. Pelo contrário, além de não ser o único, sofreu várias deformações no decorrer de sua implementação sendo sua crise, portanto, a crise de um tipo específico de organização econômico-social e política; e
b) O processo revolucionário que se inicia com a Revolução de 1917 não contava com as condições preconizadas por Marx como necessárias à transição socialista, a saber, um alto grau de desenvolvimento das forças produtivas (industrialização e urbanização capitalistas) e uma classe operária numericamente significativa e suficientemente organizada. Longe de ser um detalhe, a inexistência dessas condições, a necessidade do Estado criá-las e o fato de não ter sido acompanhada por revoluções em escala mundial ou pelo menos em países que preenchiam aquelas outras condições, acabaram por se configurarem em limites para o sucesso da transição ao socialismo no leste europeu.
A questão importante que essa identificação entre crise do Socialismo Real e crise do Marxismo suscita é se isso aponta para a impossibilidade de implementação de um projeto socialista.
Assim como NETTO (1991), CARVALHO (1992) e PAULA (1995), entendo que não. É claro que essa crise, exponenciada pela citada crise da modernidade, pela forte reação conservadora que temos assistido nas últimas décadas, por toda a propaganda anti-marxista e pela imagem da sociedade burguesa como aparentemente forte e insuperável, coloca-se como um obstáculo a mais, mas isso não significa impossibilidade.
Não deve haver relação direta e automática entre o fracasso de uma determinada alternativa socialista e a impossibilidade de gestão ou implementação de outros projetos que considerem as condições objetivas e subjetivas existentes. Não acreditar nisso implica, no mínimo, em soterrar todas as esperanças de uma sociedade livre, democrática, igualitária, sem exploradores e explorados, enfim, soterrar ideais tão caros ao homem desde os primórdios da humanidade e conformar-se com o tipo de sociedade na qual vivemos.
Junto com o questionamento da associação entre Socialismo Real e Marxismo, NETTO (1991) levanta outra questão, cuja elucidação ajuda no enfrentamento das críticas: quando se fala em crise do Marxismo, de que Marxismo está se falando?
Argumenta que a partir do pensamento de Marx (marxiano), se originaram várias interpretações/desdobramentos/correntes que se entrecruzaram e se relacionaram, às vezes de forma colidente. Assim, a Tradição Marxista (o conjunto) tem em seu interior diferentes vertentes (Marxismos), e a crise de uma delas não significa a crise do conjunto.
Reforça que um resgate histórico mostrará que a sustentação da autocracia stalinista estava em um dos desdobramentos da Tradição Marxista: o Marxismo-Leninismo (uma concepção reducionista e vulgarizada do pensamento marxiano – Marxismo Vulgar). Apesar do Marxismo-Leninismo ter conseguido um hegemonismo a partir dos anos 30 e de ter sido posto no movimento comunista como o Marxismo Oficial (como discurso institucional legitimador do Estado-Partido soviético), isso não ocorreu sem resistências e sem críticas vindas do interior da própria Tradição.
Com essa argumentação, e evidenciando a importância dessas críticas que demostram o afastamento do Marxismo-Leninismo em relação ao pensamento marxiano, NETTO (1991) concorda com uma decadência desta vertente, afirmando mesmo a sua morte (concomitante com o desmoronamento da experiência no Leste Europeu). Entretanto, discorda que essa condição possa ser transposta para o conjunto: a crise do Socialismo Real só pode ser identificada com uma crise do Marxismo se esse for identificado com o Marxismo-Leninismo.
O que estamos presenciando, diz ele, não é diferente do que ocorreu ao longo da constituição da Tradição Marxista, onde se pode ver a existência de crises de uma ou outra vertente (Marxismos) funcionando, inclusive, como incentivo para a emergência de vertentes alternativas.
Embora não tenha sido explicitado diretamente pelo autor, é neste sentido que se pode visualizar o amadurecimento, dentro da Tradição Marxista, de uma vertente denominada por alguns de Humanista. Pensadores filiados a essa vertente têm direcionado seus esforços no sentido de, a partir do próprio Marx, desmontar construções vulgarizadas e mecanicistas preponderantemente aquelas que realmente parecem subestimar ou ignorar o papel ativo do indivíduo na história e valorizar categorias ditas econômicas e macro-societárias.
Não há dúvidas de que esta empreitada foi fortemente influenciada pela necessidade de contraposição ao Marxismo-Leninismo e que tenha sido beneficiada da descoberta de textos marxianos fundamentais para alicerçar uma concepção humanista em Marx como os “Manuscritos Econômicos e Filosóficos” e a “Ideologia Alemã. Embora escritos em 1844 e 1845/1846 respectivamente, estes textos só foram publicados, em língua original, em 1932, deixando uma grande lacuna no conhecimento da totalidade da obra de Marx por parte das gerações posteriores, incluindo pensadores extremamente significativos como Lenin, Kautsky e Rosa Luxemburgo.
A partir destes textos, e também dos “Grundrisse – Elementos Fundamentais para a Crítica da Economia Política” escrito em 1857/1858 e publicado entre 1939 e 1940, não cabe, a não ser por pura desinformação, o argumento de que Marx não contemplou o indivíduo, as relações entre o homem e a natureza e entre os próprios homens e outras categorias como liberdade, felicidade, etc. SCHAFF (1967) chega a afirmar que o ponto de partida de Marx é o homem e seus problemas e que sua tarefa, mesmo na abordagem de categorias econômicas, era “vencer a alienação econômica, em seus diversos fenômenos e conseqüências, para garantir melhores condições ao desenvolvimento da personalidade e da felicidade pessoal do indivíduo humano”. (SCHAFF, 1967, p.32)
Em síntese, pode-se afirmar que tanto no plano do desenvolvimento teórico como no de implementação prático-política (duas instâncias aqui separadas apenas em termos redacionais), não é possível falar em crise do Marxismo e sim, em crises dentro da Tradição Marxista, em crise de uma determinada linha de interpretação.
3. Considerações Finais
Feitas estas observações, creio que é importante fazer um alerta quanto a um possível tom ingenuamente otimista que poderia ser depreendido do texto. A defesa e a certeza quanto à validade e à vitalidade do Marxismo não implica concebe-lo como um dogma de fé e muito menos assumir uma postura de crença cega quanto à inevitabilidade de uma transição socialista.
Ao contrário, o momento é extremamente crítico, na medida em que, no plano prático-político, convive-se com a já mencionada reação conservadora que coloca o capitalismo, pelo menos até sua próxima cíclica crise estrutural, como irreversível e as possíveis propostas de organizações sociais alternativas à ele como inviáveis. Dificuldades, obstáculos e condições objetivas/subjetivas adversas não são sinônimos de inviabilidade, assim como uma crítica rigorosa à matrizes conservadoras e em especial ao neoliberalismo não é, por si só, garantia de inevitabilidade de uma transição socialista.
Por outro lado, não há transformação que se faça sem conhecimento e sem análise crítica, já que é o movimento da razão, apreendendo no plano ideal o mais fielmente possível o movimento real do objeto, que permite a visualização e a proposição de alternativas.
Assim, os desafios postos pelo mundo moderno, tanto no plano prático-político como no plano teórico-metodológico, exigem, para sua resolução, um gigantesco esforço teórico-crítico de todos e principalmente dos “marxistas”. Esse esforço implica não em um abandono de Marx, mas em uma volta a ele. Isto é, é necessário, principalmente para nós Assistentes Sociais em razão da forma problemática como nos aproximamos e nos apropriamos da Tradição Marxista, que se faça um esforço em conhecer de fato este ilustre desconhecido que é o Marxismo para nós; que se aprofunde o legado de Marx; e que se faça uma apropriação de seu método.
É só desse modo que será possível vencer os equívocos cometidos nas últimas décadas na interlocução com a Tradição Marxista, eliminar as interpretações equivocadas e, acima de tudo, contribuir para o desvelamento do mundo atual, desnudando o propagado “novo” que ele apresenta.
Evidentemente que essa tarefa não é simples ou fácil, principalmente quando no próprio interior das Ciências Sociais e do Serviço Social temos que lutar contra tendências revisionistas e contra outras que, revestidas de maior ou menor sofisticação, intentam um retrocesso em todos os avanços conquistados. Também não é nada fácil se levarmos em conta as pressões sofridas no cotidiano profissional que nos fazem correr o risco de assumir uma postura fatalista.
Porém, a pergunta chave continua sendo a mesma: que sociedade queremos? Uma sociedade como a atual que joga a maioria da população em processos mais duros de exploração e de exclusão? Uma sociedade que já nos mostrou que não tem nada a oferecer a não ser a barbárie? Se não é isso que queremos, fazer coro à morte do Marxismo é um caminho que temos que evitar – a saída é enfrentá-la e não adequar-se à ela.
Evidentemente que o enfrentamento passa pela atuação de cada um enquanto sujeito histórico ativo, no entanto, a parcela de contribuição enquanto profissional inserido no mercado de trabalho não é menos importante.
Para tal não bastam apenas as “boas intenções”. Dentre outros elementos, é preciso um conhecimento teórico-prático dos meandros institucionais; é necessário um decorrente exercício profissional competente no sentido teórico, técnico e político e, dando base e indicativos para isso, uma formação profissional igualmente competente.
Portanto, em termos de formação profissional, não basta apenas preparar um profissional capaz de atender as demandas do mercado de trabalho tal como elas se apresentam, embora não haja discordância quanto ao fato de que oferecer condições para inserção e permanência no mercado de trabalho é uma tarefa obrigatória para os cursos, particularmente de graduação.
Para iniciar a formação de um profissional competente (já que ela não se restringe aos bancos escolares), é necessário mais que isso. É imprescindível, ao mesmo tempo, que se contribua para o desenvolvimento da capacidade de detectar as demandas emergentes ou tendenciais tanto em termos macro-societários, como em termos do espaço ocupacional; que se seja capaz não só de captar a realidade, mas de desvelá-la visualizando alternativas de ação com potencial transformador em maior ou menor grau.
O núcleo da problemática e que merece nossa atenção e reflexão é: Isso é possível através de um outro método que não seja o marxiano? Isso pode ser atingido com eliminação ou diminuição do espaço de abordagem da Tradição Marxista nas universidades?
http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n2_marxismo.htm
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Tics em Verso e Prosa
Você vai mesmo acreditar
Que a mídia é imparcial na informação?
Infelizmente há de continuar
Os fatos alterados, a manipulação.
Seu objetivo é manter-se no poder,
Os interesses e desejos da hegemonia
A televisão quer sempre defender.
Perversa é esta pequena burguesia.
Cabe a nós lutar pela verdade
Usando os meios de comunicação
Minimizando os males da desigualdade
Dando fim a este tipo de exclusão!
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Palestra de José Paulo Netto
Postado por Levi Tavares
Palestra Memória Resistência: organização política da categoria no Brasil e na América Latina".
Reflexão sobre TICs
Diferentes maneiras de contar a história de Chapeuzinho Vermelho
Por Frei Betto
Postado Por Levi Tavares
JORNAL NACIONAL (William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por lobo na noite de ontem…’. (Fátima Bernardes): ‘… mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia’.
PROGRAMA DA HEBE (Hebe Camargo): ‘… que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo ?’
BRASIL URGENTE (Datena): ‘… onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades ? Cadê as autoridades ?! A menina ia para a casa da vovozinha a pé ! Não tem transporte público ! Não tem transporte público ! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela !! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.’
REVISTA VEJA Lula sabia das intenções do lobo.
REVISTA CLÁUDIA Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
REVISTA NOVA Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.
FOLHA DE S. PAULO Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.
O GLOBO Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.
JORNAL MEIA HORA Chapeuzinho escapa do créu de lobo taradão da zona oeste pelo machadão de lenhador. ZERO HORA Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.
AGORA Sangue e tragédia na casa da vovó
REVISTA CARAS (Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte, na ilha de Caras) Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser devorada,eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa’
PLAYBOY (Ensaio fotográfico no mês seguinte) Veja o que só o lobo viu.
REVISTA ISTO É Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
G MAGAZINE (Ensaio fotográfico com lenhador) Lenhador mostra o machado
SUPER INTERESSANTE Lobo mau ! mito ou verdade ?
DISCOVERY CHANNEL Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver