A Questão Social

A Questão Social

Serviço Social - O que é?

É uma profissão de cárater sócio-politico, crítico interventivo que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas refrações da "questão social", isto é no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho. Inserido nas mais diversas áreas (saúde, habitação, lazer, assitência, justiça, previdência, educação, etc) com papel de planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais, o Assistente Social efetiva sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global de cunho sócio-educativo ou socializadora e de prestação de serviços.

O Assistente Social está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Desafios para universalizar a assistência social

Por Raquel Júnia
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), Fiocruz
Postado por Levi Tavares
 
 Censo revela que número de centros de assistência social aumentou nos últimos três anos, mas ainda é preciso qualificar o atendimento e garantir o funcionamento do controle social
 
Assim como o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (Suas) também já virou lei. Agora, o desafio é fazer com que todas as pessoas sejam atendidas com qualidade. Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome (MDS) divulgou o censo Suas 2010, que mostra, por exemplo, que houve um aumento de 77% no número de Centros de Referência de Assistência Social (Cras) nos municípios com até 20 mil habitantes. No entanto, ainda há 15% dos municípios sem esses espaços, que, junto com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) são os principais locais de atendimento em assistência social. Os dados revelam ainda que há outros grandes desafios, como fortalecer os conselhos, que são responsáveis por fiscalizar o bom andamento do Suas, e garantir a realização de concursos públicos para os trabalhadores.
De acordo com o censo, os serviços de assistência social cresceram mais nas cidades pequenas, enquanto nas metrópoles houve um incremento de 33% no número de Cras. Os Creas tiveram um aumento médio de 33%, entretanto, com forte desigualdade entre os estados. Nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, que concentram o maior número de cidades, 80% dos municípios ainda não possuem o serviço. Já em outros 14 estados, os Creas estão presentes em cerca de 30% dos municípios.
Para o presidente do Conselho Nacional de Assistência Social (Cnas), Carlos Eduardo Ferrari, houve um esforço inicial de expandir o Suas e é necessário agora melhorar o atendimento. "O primeiro passo que o sistema único deu foi ganhar capilaridade. Agora, é urgente qualificar a rede, não dá mais para adiar esse processo, até porque as expectativas dos usuários da política são muito grandes", opina. A secretária nacional de assistência social, Denise Colin, afirma que os dados do censo são importantes para guiar os próximos passos da política de assistência. Ela explica quais são as prioridades a partir dos novos indicadores. "A política de assistência social terá que atingir a universalidade na totalidade dos municípios em relação à proteção social básica. Na proteção social especial, atender também aquelas regiões que tem reincidência na violação de direitos e depois dar conta da cobertura, que é atingir a proporção mais adequada entre a demanda e a oferta dos serviços. Além disso, capacitar continuamente as equipes para atuarem e poderem adotar sistemas informatizados homogêneos e metodologias de acompanhamento para essas famílias".
Reportagem realizada pela EPSJV/Fiocruz em junho ouviu assistentes sociais que afirmaram que a qualidade dos serviços em assistência social não acompanha muitas vezes a expansão da rede. Há casos de Cras e Creas nos quais os pacientes não são atendidos em condições adequadas, como um ambiente que proporciona o sigilo, por exemplo, e inclusive, unidades que não dispõem sequer de telefone. Carlos Ferrari diz que de fato há muitos problemas estruturais na rede de atendimento do Suas. O presidente do Cnas cita, entre as melhorias necessárias, a adequação dos espaços de atendimento de forma que sejam acessíveis a todas as pessoas. Ele aposta que essas melhorias vêm acontecendo à medida que os gestores municipais e estaduais também entendem a importância do sistema. "À medida que o gestor passa a se apropriar mais do sistema, também ele está mais habilitado para fazer essa qualificação e se utilizar melhor dos recursos dentro desse modelo descentralizado e participativo que é o Suas. Precisamos avançar no entendimento do papel dos estados, com os municípios entendendo que a gestão exige compreensão técnica, e não simplesmente uma apropriação política", pontua. Carlos afirma que tem sido exitosa a luta contra a percepção vigente até pouco tempo da assistência social como objeto de caridade das primeiras damas e não como uma política pública. "O primeiro damismo acabou dando essa faceta perversa para a assistência social durante décadas e temos vencido isso de forma muito significativa também".
Trabalhadores
Segundo Carlos Ferrari, outro desafio é garantir a realização de mais concursos públicos para admitir trabalhadores no Suas, já que há muitos profissionais contratados de forma precária. Segundo o censo, dos 220 mil trabalhadores da assistência social, 107 mil (49%) são comissionados ou possuem "outros vínculos de trabalhos". Entre os 113 mil (51%) restantes, 85 mil (35%) são estatutários (concursados) e 28 mil (13%) são celetistas (contratos via CLT). "O ideal é avançarmos na abertura de concursos públicos, na constituição de vínculos empregatícios que garantam estabilidade, porque a principal tecnologia do Suas são os trabalhadores. Se não há vínculos profissionais qualitativos, que garantam a permanência desses trabalhadores acontece sempre muita alternância e, logo, a qualidade da oferta de serviço fica muito comprometida".
Denise Colin e Carlos Ferrari concordam que, com a criação da lei do Suas, ficará mais fácil realizar concursos públicos, já que os municípios também poderão utilizar o fundo municipal para pagamento de mão de obra. "Entretanto, isso passa também por uma leitura do município da importância da política de assistência social", ressalta Carlos.
Controle social
Os conselhos de assistência social, tanto nos municípios, quanto nos estados e na esfera federal, devem cumprir o papel de acompanhar, fiscalizar e exigir o bom funcionamento do SUAS. No entanto, pelos dados do censo, os conselhos ainda encontram muitas dificuldades de funcionamento, como a não nomeação formal de um secretário executivo e a falta de funcionários para a realização de atividades administrativas. Pelo censo, 24% dos conselhos dos municípios com até cem mil habitantes não possuem sequer um funcionário, e em municípios de grande porte, com população entre cem e 90 mil habitantes, mais da metade dos conselhos tem um ou nenhum funcionário. A situação de falta de estrutura se reflete também na efetividade dos conselhos. Os dados mostram que apenas 10% dos conselhos municipais recebem denuncias e apenas 24% promovem ações de mobilização social. "O sistema único foi concebido e pensado a partir de três perspectivas: a gestão, a oferta dos serviços através dos equipamentos estatais e não estatais, e o controle social. Não existe o sistema se não tiver o conselho para fazer o acompanhamento e aprovação das contas, a deliberação dos rumos da política. Logo, ele é parte estruturante. O Censo mostra que em praticamente 100% dos municípios há conselhos, mas ter não é o mesmo que funcionar de fato, e se lermos o censo mais a fundo, veremos que há muita debilidade ainda", analisa Carlos Ferrari.
Apesar de reconhecer os avanços já alcançados, o conselheiro enumera que ainda há outros problemas nos conselhos, como o desequilíbrio entre o número de representantes do governo e da sociedade civil e também entre os seguimentos que compõem a sociedade civil - usuários, trabalhadores e entidades. Carlos considera fundamental que haja modificações nas leis de criação dos conselhos. "Ainda há leis que não asseguram a paridade, garantem cadeira cativa para segmentos específicos da comunidade local, e isso acaba impedindo a alternância. Ainda há inclusive leis que impedem a participação desses três segmentos da sociedade civil de forma equilibrada - trabalhadores, usuários e entidades", destaca.
Recursos
Dentro da Lei Orçamentária Anual prevista para 2011, a assistência social ficará com apenas 2,13% do orçamento. Desse montante, o Cnas explica que mais de 90% é destinado a pagamento de benefícios, portanto, o que sobra para os serviços de assistência, basicamente os prestados nos Cras e Creas é pouco. Além desse problema, os dados do censo revelam ainda que muitos municípios (10,8%) não possuem fundos de assistência social que se configuram como unidades orçamentárias. A maior parte deles está na região norte, cujo percentual de municípios nessa situação atinge 23%. Isso dificulta que os municípios recebam recursos da União e dos estados, o que pode acarretar problemas na execução da política de assistência social. "Os municípios obrigatoriamente tem que ter fundos com recursos próprios e se constituírem como unidade orçamentária. Percebemos com o censo que nem todos os municípios fizearm isso, apesar de todos já terem criado os fundos e aportarem recursos próprios. Agora são necessários esses outros aprimoramentos", explica Denise.
Carlos complementa que para executarem a política de assistência social, os municípios precisam ter o que foi apelidado de CPF, que é o conselho, o plano municipal de ação e o fundo municipal. "O que acontece é que muitos municípios não criam o fundo como unidade orçamentária, com CNPJ próprio, coordenador de despesas, e criam os tais fundos de solidariedade, que são fundos não vinculados à política, que acabam não tendo a gestão alinhada com a política e isso cria uma grande confusão na operacionalização desses recursos", diz.
Outros dados do censo Suas 2010 mostram que apenas 11 estados possuem secretarias exclusivas de assistência social, enquanto 16 funcionam em conjunto ou subordinadas a outras políticas setoriais. Já entre os municípios, 72,6% têm secretarias de assistência social exclusivas. O cofinanciamento dos serviços de assistência social entre estados e municípios também ainda precisa caminhar. Na proteção básica, 21 estados já participam do financiamento, mas os serviços de proteção social especial de média e alta complexidade recebem recursos de apenas 12 e 16 estados, respectivamente. "A responsabilidade pública pela política de assistência social é recente. Embora ela esteja prevista na Constituição e tenha uma lei orgânica prevendo essa responsabilidade, foi com a implantação do Suas que isso ficou mais evidente. Agora, com essas atribuições mais próprias do poder público, os estados e municípios estão sentindo a necessidade de ter uma estrutura mais robusta e que requer uma atenção mais direta. A maioria dos municípios não tinha secretaria específica de assistência social e agora já tem", comenta Denise.
Para Carlos, os desafios da assistência social podem ser resumidos em três campos: a gestão, a oferta de serviços e o controle social. O conselheiro aposta da mobilização para garantir mais recursos para o SUAS. "Precisamos avançar nesses três aspectos considerando que o sistema único é jovem e que, obviamente, só vamos avançar nisso se tivermos orçamento. Então, é importante mobilização política nas três esferas de governo, para que as Leis Orçamentárias Anuais contemplem a assistência social atendendo as demandas da forma como a legislação prevê. Nós precisamos avançar muito no orçamento da oferta de serviços para que tenhamos uma rede de proteção social de fato, que traga as famílias para a centralidade e garanta o cumprimento de todas as demandas que identificamos no território".

Fonte: http://www.adital.com.br/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crise terminal do capitalismo?

Por Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: "não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

[Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-cuidar da vida: como evitar o fim do mund, Record 2010].

quinta-feira, 7 de julho de 2011

VIII Conferência Municipal



Conselho Municipal de Assistência Social organiza VIII Conferência Municipal
Inscrições acontecem de 1º a 31 de julho pelo Portal da Prefeitura www.ribeiraopreto.sp.gov.br

Nos dias 5 e 6 de agosto Ribeirão Preto vai sediar a VIII Conferência Municipal de Assistência Social. Promovido pelo CMAS (Conselho Municipal de Assistência Social), o evento, sediado no Colégio Metodista, na rua Florêncio de Abreu, nº 697, terá inicio às 19h30, do dia 5, e prossegue no dia 6, das 8h às 18h30. Este ano o tema em discussão é “Consolidar o SUAS e Valorizar seus Trabalhadores”. A estimativa é receber um público acima de 500 participantes.

As inscrições para o evento estarão abertas de 01/07 a 31/07 pelo Portal da Prefeitura de Ribeirão Preto – www.ribeiraopreto.sp.gov.br – com garantia de material.

Conferência – A Conferência Municipal de Assistência Social acontece a cada dois anos, no município, e tem como objetivo definir a linha de atuação da administração municipal para os próximos anos.

O tema deste ano “Consolidar o SUAS e valorizar seus trabalhadores”, frisa a importância de fortalecer as políticas sociais envolvendo os técnicos que prestam serviços na área de Assistência Social. “As políticas públicas estabelecidas permitem ao cidadão usufruir de mecanismos que venham contribuir para a qualidade dos serviços prestados à população”, afirmou a secretária de Assistência Social Maria Sodré.

Participarão da Conferência representantes das entidades e organizações não governamentais, associações de moradores, trabalhadores do setor, representantes governamentais e a população usuária da política de assistência social.
Mais Informações no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) pelo fone (16) 3941-0119.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Desigualdade Social: Veja x MST

Levi Gabriel Tavares   
Carlos R. Januário      
Edvânia A. de Sousa       
Edvaldo G. de Souza   
Ângela C. Ferreira          

Resumo: O breve estudo tem como propósito demonstrar como os meios de comunicação, em particular a revista Veja tem interesses em desmoralizar movimentos em prol da luta pela justiça social, em especial pela Reforma Agrária como é o caso do Movimento dos Sem Terra. Mesmo mascarada por um discurso democrático e imparcial é perceptível os interesses da Revista em ser instrumento de manutenção da ideologia hegemônica.

Palavras chave: Veja MST, Desigualdade Social.

Abstract: The brief study aims at demonstrating how much the means of communication, especially VEJA magazine, is interested in demoralizing movements that fight for social justice, especially for Land reform as it is the case of the Landless Movement . Even masked by an impartial and democratic speech, it is perceptible the interests of the Magazine in being instrument of maintenance of the hemogenic ideology.

Key Words: Veja, MST, Social Inequality

Introdução:
Os meios de comunicação são detentores de um discurso de imparcialidade na informação. Afirmam possuir um compromisso com a veracidade das notícias. No entanto não é isto que percebemos na Imprensa Brasileira.
A revista Veja representa um destes meios de comunicação que consegue influenciar a opinião de grande parte da população nacional. Todavia esta vem se mostrando uma ferramenta de manipulação da noticia sustentando o atual estado de desigualdade social da nação. Ela vem sendo um meio de consolidar a classe hegemônica no poder, afirmando assim sua ideologia.
O presente trabalho tem o objetivo de analisar as vertentes políticas ideológicas dos meios de comunicação abordados aqui. Para isso buscaremos discernir estas vertentes ideológicas através da reflexão da reportagem em estudo.

Reportagens:

A herança do MST na Bahia
Revista Veja - 09/05/2011


No sul do estado, 3000 pessoas vivem do roubo de eucalipto, que é convertido em carvão e, depois, consumido por siderúrgicas do Sudeste


Vincícius Segalla

O sul da Bahia lidera a produção de celulose no país. Em uma área vinte vezes maior que a da capital do estado, Salvador, os gigantes Fibria, Veracel e Suzano empregam 15000 pessoas e produzem 22% da pasta de madeira nacional. Até o fim da década passada, essas três indústrias sofreram duas dezenas de ataques do MST, que destruíram propriedades e devastaram as lavouras de eucalipto. Há cerca de três anos, o MST concentrou-se em uma região mais próxima da capital – mas deixou no sul do estado um legado de saques contínuos que, agora, ameaçam a economia e o ambiente. A Polícia Militar da Bahia estima que 3000 pessoas passaram a viver do abate sistemático de árvores. A madeira abastece 4000 fomos ilegais usados para a confecção de carvão e manuseados por crianças. As tentativas das autoridades de impedir o crime não vêm surtindo resultado. Há dez dias, policiais conseguiram apreender quarenta caminhões carregados de troncos roubados da Fibria e da Suzano. Mas ninguém foi preso. “Eles têm informantes ao longo das estradas e fogem antes de chegarmos”, diz o major da Polícia Militar Ivanildo da Silva, responsável pela segurança da região. As perdas são milionárias. A Suzano teve prejuízos de 135 milhões de reais desde 2007 e a Fibria, de 13 milhões de reais só no ano passado.

A cadeia da bandidagem é complexa. Na base estão os pobres dos municípios de Mucuri, Nova Viçosa e Alcobaça, que obtêm renda de 600 reais mensais para produzir carvão ilegal para atravessadores que abastecem siderúrgicas de Minas Gerais e do Espírito Santo. Confiantes na impunidade, carvoeiros, aliciadores de mão de obra e chefes da Máfia do Carvão agem à luz do dia e procuram justificar seus crimes com o surrado discurso do problema social. “Tem muito eucalipto aqui e eu não tenho outra coisa para fazer. Roubo mesmo”, diz Robson dos Santos Lima. Toda vez que a polícia baiana apreende carvão ilegal, a quadrilha reage. Em seu mais recente aro de retaliação, os criminosos atearam fogo em um ônibus que transportava 25 funcionários da Fibria. Ameaças e incêndios são rotina. As queimadas já atingiram 19000 hectares de florestas de eucalipto. Além de lançarem no ar uma quantidade de monóxido de carbono equivalente a quatro meses de emissões da frota baiana de veículos, os criminosos impedem que as empresas explorem a madeira de maneira sustentável na fabricação de celulose.

Matéria tendenciosa da Veja ataca MST com deslavadas mentiras sobre roubo de madeira na Bahia

Rede Imprensa Livre

A revista Veja traz na edição desta semana uma matéria tendenciosa sobre o roubo de madeira no extremo sul da Bahia, que estaria afetando as indústrias de celulose.
Pela inconsistência do conteúdo e pelos ataques ao MST, está claro de quem são os interesses por trás da matéria.
A revista santifica a indústria de celulose que dizimou a agricultura familiar na região, ocupando milhares de hectares para a monocultura, que serve para exportação, sem oferecer contrapartida social e ambiental à altura dos estragos produzidos e demoniza o que restou de resistência no campo.
Os prejuízos alegados seriam milionários. A Suzano alega prejuízos de R$ 130 milhões desde 2007 e a Fíbria (antiga Aracruz) de R$ 13 milhões só no ano passado.
A matéria não cita, mas a Veracel também já enviou à imprensa sua conta: quase R$ 9 milhões de prejuízos com as invasões do MST.
A revista Veja acusa o MST – Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – de ser o protagonista de dezenas de ataques, que teriam destruído propriedades e devastado as lavouras de eucalipto.
A falácia dos empregos
Logo no primeiro parágrafo da matéria vem a grande falácia da indústria de celulose: os gigantes Fíbria (antiga Aracruz), Veracel e Suzano empregariam 15 mil pessoas.
Aonde estariam esses 15 mil empregos? Quantos trabalhadores efetivos empregam os tais gigantes do eucalipto?

Acusações Duvidosas
Ainda de acordo com a matéria da Veja, estima-se que três mil pessoas passaram a viver do corte sistemático de árvores na região para abastecer quatro mil fornos ilegais de carvão e a atividade teria a presença de crianças.
A matéria não apura, por exemplo, denúncias do Ministério Público estadual sobre o uso ilícito da polícia pela Veracel para reprimir trabalhadores que catam sobras e pontas de eucalipto para cozinhar. Não apura a difícil relação da indústria de eucalipto com as empresas embaladoras de frutas. As caixotarias são cada vez mais prejudicadas pela falta de madeira comercializável na região.
Mas há acusação de que uma “máfia do carvão” também estaria incendiando a plantação de eucalipto como retaliação às prisões.
Mas o mais curioso é que a Veja abre mão de sua ferramenta mais poderosa, a apresentação das provas de suas acusações. Não há na matéria documentação, fotos mais convincentes, nem depoimentos contundentes que atestem a veracidade do conteúdo.
E o que é bem pior: a revista abriu mão da prática fundamental do jornalismo isento: ouvir o contraditório.

Análise dos meios de Comunicação:

“Se perco o controle da imprensa, não agüentarei
nem três meses no poder”
Napoleão Bonaparte
(SOUZA, 2004, p.51)


1.1 Revista veja
A revista Veja tem uma história em comum com a história da imprensa brasileira. A Veja é uma revista semanal brasileira, que vem sendo publicada pela editora Abril, tendo sido criada em 1968 pelos jornalistas Victor Civita e Mino Carta, é considerada pelos números de tiragens como a revista de maior circulação no Brasil.
A revista Veja trata de diversos assuntos como: cultura, política, economia, comportamento e outros. Em sua grande maioria os textos são assinados por jornalistas, porém, algumas seções da revista não são assinadas.
A respeito de sua parcialidade jornalísticas, a revista já foi alvo de alguns jornalistas como Luis Nassif e pelo próprio Mino Carta, que faz críticas acidas a Veja em sua revista Carta Capital.
Segundo o Jornalista Altamiro Borges a editora Abril faz parte de um restrito clube que domina a mídia no Brasil e que como tal não pode tolerar perder seus privilégios de classe.
O interessante é que, a editora Abril sempre manteve relações com o partido PSDB e o PFL, o primeiro é um partido que tem claras tendências neoliberais, e o segundo nunca escondeu sua proximidade com o conservadorismo oligárquico.
Uma importante informação é que em 2004 fundos de investimentos da Capital International Inc se uniram ao grupo Abril.
Portanto é inteligível concluir que a revista Veja, estando dentro de um grupo (editora Abril) que, mantém dois prepostos da Capital International (Willian Parker, Guilherme Lins) no conselho administrativo da referida editora serve a interesses que muitas vezes são “estranhos” aos interesses nacionais, portanto segue a norma neoliberal de ir em direção não da ética mais dos interesses do capital.

1.2 Site rede imprensa livre
O Site Rede Imprensa Livre é um veículo crítico, de atuação principalmente na divulgação de notícias concernentes à política, e tem como responsável Carlos Geraldo Alves.
O Site trata de outros assuntos como meio-ambiente, cidadania, direitos do consumidor etc. e se propõe a ser um instrumento crítico e de informação. Algumas matérias veiculadas no Site que são assinadas por alguns colunistas não são de responsabilidade do editor.
Este site criado em 2008, vem a ser um bom veículo de informações dentro do espaço chamado blogosfera. E até onde compreendemos tenta ser isento e imparcial, com a colaboração de colunistas independentes.
Um detalhe interessante do Site é que, além do conteúdo jornalístico, seu editor expõe algumas partes da bíblia dentro desse espaço.

2. Análise das opiniões dos meios de comunicação sobre o assunto:

“O leitor é induzido a ver o mundo não como ele é,
mas sim como querem que ele o veja”
Perseu Abramo
(ABRAMO, 2003, p.23.)


2.1. – Análise da vertente ideológica da reportagem: A herança do MST na Bahia.

O presente texto deixa transparecer óbvias e também, não tão óbvias características de conservadorismo. Em vários trechos da reportagem é possível perceber a parcialidade com que age esse veículo de comunicação (Veja), que ataca sumariamente o MST. A reportagem em questão age de forma unilateral mostrando fatos, porém, não dando direito de resposta ao MST. Além dessas alegações é inteligível entendermos uma possível afinidade entre o referido veículo de comunicação e o Estado, utilizando-se de estatísticas como esta:
“A Policia Militar da Bahia estima que 3000 pessoas passaram a viver do abate sistemático de árvores. A madeira abastece 4000 fomos ilegais usados para a confecção de carvão e manuseados por crianças. As tentativas das autoridades de impedir o crime não vêm surtindo efeito.”
Se aceitarmos essa estatística/proposição como verdadeira, onde está o Estado para propor políticas contra o desemprego e dar condições de sobrevivência a essas pessoas, além de fiscalizar, se há trabalho infantil, trabalho escravo, etc?
O texto dessa reportagem transmite aos leitores as intenções de defesa de hegemonia de grupos ligados às elites industriais, e com pleno aval do Estado.
A Resistência Campesina é tratada como quadrilha criminosa e o problema social é tratado como simples roubo.

2.2. – Análise da vertente ideológica da reportagem: Matéria tendenciosa da Veja ataca com deslavadas mentiras sobre roubo de madeira na Bahia

A matéria se coloca na posição da vertente ideológica crítica, expõe ainda a questão por trás dos interesses que as grandes indústrias de celulose possuem. A matéria explica que a agricultura familiar foi prejudicada única e exclusivamente por essas empresas que se utilizam de vasto território no interior da Bahia, mas que sua produção se dedica à exportação e que essas empresas não oferecem uma resolução digna para essa questão social.
A reportagem cita um dado importante sobre o uso ilícito da força policial pela indústria Veracel para reprimir trabalhadores, e explicita ainda que a Revista Veja não se utilizou de uma prática fundamental e ética que faz parte de qualquer jornalismo isento, ou seja, ela não dedicou espaço para as possíveis explicações do MST.

3. Estudo de Caso:

“As idéias dominantes de uma época, sempre foram
as idéias da classe dominante”
Karl Marx
(MARX e ENGEL, 2001, p.65.)


Segundo a matéria da Revista Veja:

“A cadeia da bandidagem é complexa. Na base estão os pobres dos municípios de Mucuri, Nova Viçosa e Alcobaça, que obtêm renda de 600 reais mensais para produzir carvão ilegal para atravessadores que abastecem siderúrgicas de Minas Gerais e do Espírito Santo. Confiantes na impunidade, carvoeiros, aliciadores de mão de obra e chefes da Máfia do Carvão agem à luz do dia e procuram justificar seus crimes com o surrado discurso do problema social.”

Neste trecho da reportagem do MST na Bahia é possível perceber certa ideologia condizente com a defesa dos interesses da classe elitista, com uma visão unilateral dos fatos.
A matéria trata de forma preconceituosa as classes que estão na base do sistema social acusando-as de serem criminosas.
Sabe-se que as elites neoliberais têm certa aversão sobre a problemática social.
Portanto quando o texto se refere ao surrado discurso do problema social é inteligível percebermos a hegemonia de um veiculo de comunicação que é voltado para as elites dominantes.

Conclusão:
“A elite pode até aceitar que os pobres peçam
favores ou mendicância, mas jamais aceitará que
eles se organizem para exigir seus direitos”
Plínio de Arruda Sampaio
(STEDILE e FERNANDES, 1999, p.113)


A maneira usada pela Revista Veja em abordar a questão envolvendo o Movimento dos Sem Terra é mais um capítulo da longa história entre eles.
A Revista através dos fatos omitidos e manipulados na reportagem revela sua imparcialidade e seu estreito vínculo com os interesses da classe burguesa.
Ela mais uma vez expressa sua aversão a tudo aquilo que se constitui em uma ameaça aos interesses dos poderosos deste país.
Portanto fica claro que ela deixou de lado a ética jornalística e o compromisso com a veracidade das informações passando a veículo de manipulação de massas, disseminando na sociedade os interesses das elites, sustentando-as desta forma no poder.
É desta forma que fazem com que grande parte da população permaneça na alienação e deixe de reivindicar seus direitos. Além de transmitir uma imagem negativa dos movimentos que lutam por justiça social, manipulando a opinião pública para consolidar-se no poder e impedir a tão sonhada Reforma Agrária.




Bibliografia:

MINISTÉRIO DA FAZENDA. A herança do MST na Bahia. Disponível em: Acesso em: 25 maio 2011.
REDE IMPRENSA LIVRE. Matéria tendenciosa da revista Veja ataca MST. Disponível em: . Acesso em: 25 maio 2011.
NASSIF, L. O caso de Veja. Disponível em: Acesso em: 13 jun. 2011.
BORGES, A. A podridão da revista Veja. Disponível em: . Acesso em: 13 jun. 2011.
ADITAL. Brasil - Revista Veja: laboratório de invenções da elite. Disponível em: . Acesso em: 13 jun. 2011.
BORGES, A. Racistas controlam a revista Veja. Disponível em: . Acesso em: 13 jun. 2011.